domingo, 8 de maio de 2011

O COTIDIAR DA VIDA

               Hoje é noite de estréia. Apreensivo subo num banquinho e me estico para pegar o volume II da 5ª edição do Caudas Aulete que a Lilian, carinhosamente, colocou na mais alta prateleira da estante do meu quarto.  Folheando o livro, chego rapidamente à página 876 e encontro a palavra cotícula - eu jurava que a escrita correta era cutícula -  seguida de: cotidade; cotidal; cotidianamente; cotidianidade; cotidiano; cotiense...o que eu temia acontecera: Não existe o verbo cotidiar! Eu acabara  de criar uma palavra. E agora?
                Há alguns dias a Bruna, minha querida sobrinha por empréstimo definitivo e sem devolução, me disse: “ Tio eu gosto muito das coisas que você escreve e  vou fazer um blog para você publica-las”.
                 Eu agradeci  e aceitei a oferta, sem saber muito bem o que fazer  com meu Blog, mas achando a idéia interessante.
                Alguns dias se passaram até que a Bruna,  num encontro casual  em sua casa, voltou ao assunto:  “ Tio o seu blog está pronto. Veja se você gostou?”  
                Caraculis! Eu estava blogado! O Cotidiar da Vida by Bruna Sakanoy estava pronto. Faltava-me agora postar, mas o quê?  Muitos temas me passaram pela cabeça, mas o cotidiar... “sei não, seu moço”! Vejamos: eu cotodio, tu cotodias, ele cotodia, nós cotidiamos... Nada mau para um verbo que acabou de nascer. Vou começar pelo título do blog, mas antes  peço a sua licença – quanta presunção, já estou achando que terei um leitor -  para fazer uma breve confissão:
                Confesso  que,  apesar de conhecer  pouco a gramática portuguesa, eu  gosto muito de escrever e o faço com enorme prazer, como se estivesse montando um quebra-cabeças. Uso  as palavras como se fossem peças  e  vou encaixando os sujeitos nos predicados, sem submetê-los, por mera ignorância,  ao rigor das predicações verbo-gramaticais.  Quando acho que o encaixe não ficou muito bom, eu colo com uma vírgula, arremato com um ponto  e sigo em frente. Vez por outra invento uma palavra, me aproprio de uma frase pronta,  conjugo um substantivo como se um verbo fosse e vamos nós! Escrever é uma arte e eu me travisto de artista quando escrevo - que me perdoem  os imortais membros da nossa Academia  Brasileira de Letras, com exceção do José Sarney e do Paulo Coelho, pelas postagens que  farei  aqui.
                Para falar do Cotidiar da Vida, eu tenho falar do meu primeiro e único passo no nascimento deste blog, que foi criar uma conta  no gmail. Eu me senti um idiota sem nenhuma imaginação, ao perceber  que  todos os nomes que eu digitava estavam indisponíveis e foram exatamente estas “indisponibilidades”  que me levaram até a palavra “cotidiano” – eu queria uma palavra que sugerisse “repetição” - e desta,  por um escorregão,  ao  “COTIDIAR DA VIDA”. 
                Acho que quase todos já  leram  uma crônica,  de autoria atribuída ao Carlos Drumond (ela circula muito por  e-mail  especialmente no final do ano), que  fala do tempo e suas subdivisões , qualificando  o “ano”  como a maior e mais importante  de todas as invenções, pois nos permite a cada 365 dias passar a borracha em algumas  páginas do nosso “caderno- da- vida”  e escrever novos projetos e metas para o novo ano (acabei de ter a idéia de procura-la  e publica-la  aqui).  O fato é que gente não se dá conta de que o tempo, na forma lógica como o concebemos, quando dividido em ciclos repetitivos, sejam anos, meses, semanas ou dias, além de adquirir infinitude,  nos passa a ilusória  sensação de imortalidade. Quem nunca ouviu a expressão  “Este ano não deu, mas no ano que vem... “? A pobre coitada da segunda-feira que o diga!  
                A  Criação bíblica não fala da criação do tempo  - talvez ele seja anteiror a Criação -  mas curiosamente diz que a Obra  foi feita em sete dias, o que me permite especular que  em algum momento, entre o sétimo e oitavo dia, Deus  tenha ordenado a vida: cotidíe-se, se repetindo  enquanto este for o meu desejo. E ela, fiel ao seu Criador, nunca mais parou de se cotidiar.
                 O cotidiar da vida é portanto, na minha concepção de criador do verbo, o abrir e fechar das cortinas de um grande palco, de um mega teatro, com uma  inimaginável platéia oculta entre “as águas debaixo do céu e as de cima”, onde fazemos as nossas apresentações. O verdadeiro significado dos nossos papéis nesta peça é um mistério que começa a dar, aos mais sensíveis, pequenos sinais de que está próximo a ser desvendado. Mas enquanto isto não acontece, agradeçamos a presença da platéia – sem ela não haveria o teatro -  e a vida pelo seu gracioso cotidiar.  E por falar em cotidiar: hoje eu deixei de fazer uma porrada de coisas, inclusive iniciar uma dieta! Ainda bem que amanhã é segunda.
                Até amanhã!    
               Mauricio Lemos  

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